O golpe do tio Sam em 64
Por José Nêumanne Pinto*
Há 58 anos, perduram várias dúvidas sobre o pronunciamento militar que deu início à mais longeva interrupção da democracia no continente americano. A mais antiga delas atribui a data em que é festejado pela direita e pelos militares como sendo o da efeméride: 31 de março. Mas uma mistura de dúvida e anedota atribuiu o início da derrubada do presidente democraticamente empossado, João Belchior Marques Goulart ao dia seguinte, 1.º de abril, data consagrada nacionalmente de forma jocosa á mentira, Na madrugada desse dia as tropas sob o comando do general Mourão Filho, que a si mesmo chamava de “vaca fardada”, avançaram rumo ao Rio de Janeiro para evitar reações de outros milicos ao golpe, caso do célebre almirante Aragão, contra quem o então governador da Guanabara, o golpista Carlos Frederico Werneck de Lacerda, se armou para resistir ais fuzileiros navais sob seu comando, enquartelado no palácio.
A efeméride, contudo, não tem importância nenhuma, pois o certo é que, mesmo tendo sido considerada extinta com a eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney pelo Colégio Eleitoral, que instituiu a chamada Nova República para lhe decretar o fim, que, pelo menos nos quartéis, até hoje não se consumou. Durante meio século e mais oito anos, o comando geral do Exército e seus subordinados nas casernas divulgaram ordens do dia, ignoradas por todas as autoridades civis governantes, exaltando os valores democráticos como se tivessem restaurado, e não dizimado a democracia vigente desde a Constituição liberal de 1946. Agora, graças à farta documentação disponível no Arquivo da Segurança Nacional, organização não governamental atuante nos EUA, é possível saber que essa enganação absurda, segundo a qual a interrupção da ordem civil foi necessária para garantir a eleição presidencial de 1951, não é coisa nossa. Mas a importação de um pretexto inventado por ianques, entre os quais se destacaram os presidentes John Kennedy e Lyndon Johnson, o diplomata Lincoln Gordon e o general Vernon Walters, agente da CIA, operando na Embaixada. A ação subversiva custou US$ 11 milhões, uma dinheirama à época, conforme o próprio Kennedy, só convencido pelo argumento de Gordon de que muito mais custaria uma campanha eleitoral.
A fímbria do tapete que tem encoberto a narrativa dos fatos foi levantada na primeira vez com a divulgação do teor de uma fita gravada em 31 de março de 1964, na qual, o substituto de Kennedy no Salão Oval da Casa Branca, Johnson, foi informado oficialmente da ida de uma força-tarefa naval das Antilhas para o litoral de Santos na “Operação Brother Sam”. Era composta de um porta-aviões, quatro contratorpedeiros e cruzadores de apoio, além de navios petroleiros. O Brasil siybe disso na reportagem de Marcos Sá Corrêa, publicada no Jornal do Brasil e reproduzida no livro 1964 Visto e Comentado pela Casa Branca, de 1977.
Camilo Tavares teve acesso à degravação da tal fita quando pesquisava sobre 64 na vida de seu pai, Flávio Tavares, que foi trocado pelo embaixador americano, Charles Elbrick. E o que ele descobriu na pesquisa de três alentados volumes alterou o objetivo de sua pesquisa, adiada, por causa de descobertas que estarreceram o cineasta e seu pai, o jornalista e escritor Flávio Tavares.
Com a ajuda do pai, que fez as entrevistas com personagens e especialistas, montou o documentário O dia que durou 21 anos, que estreou nos cinemas brasileiros em 27 de setembro de 2012 e hoje é disponível em streaming na Globoplay (para assinantes) e no YouTube (gratuitamente). O documentário ainda não mereceu de historiadores e repórteres a atenção devida, pois comprova em gravações de própria voz de Kennedy, Johnson e Gordon a evidência cristalina e absoluta de que a chamada revolução gloriosa ou redentora do Exército brasileiro não passou de uma traição asquerosa à Pátria a serviço da maior potência estrangeira, que a financiou, planejou e executou para evitar consequências danosas a grandes empresas ianques como a telefônica ITT e a energética Amforp, cujas filiais no Rio Grande do Sul foram nacionalizadas pelo então governador, Leonel Brizola, cunhado do presidente e prócer antiamericanista no Brasil à época.
Então a esquerda estudantil intuiu o que o documentário revelou ao gritar a plenos pulmões nas passeatas contra a ditadura: “Chega de intermediários, Lincoln Gordon para presidente”. Os generais do golpe, que, na verdade, não passou de uma intervenção militar colonialista americana, protagonizaram vexames, como as intimidades que Castello Branco, tido como um homem reto, contava a seu amigo Vernon Walters, dublê de general do exército dos EUA e agente da CIA. Lúcidas observações dos historiadores Carlos Fico, PeterKornbluh, coordenador da Ong Arquivo da Segurança Nacional, e James Green, da Universidade Brown, em Providence, Rhode Island, guiam o espectador pelos caminhos tenebrosos e tortuosos da verdade histórica, que ordens do dia mentirosas não ocultam.
Meu papo com Camilo Tavares no Dois Dedos de Prosa no canal do YouTube, editado no aniversário oficial da ignomínia, ocorre no momento em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, eleva o notório torturador dos subterrâneos da ditadura cabocla, financiada por empresários norte-americanos, coronel Brilhante Ustra, ao apanágio da Pátria, que ele diz amar. O que 58 anos de cegueira em relação à verdade fundamental da intervenção americana fantasiada de golpe é um vexame a se acrescentar a escravidão, abolição, Canudos e Contestado, em nome da República. Esta é pior, pois, como lembra Kornbluh, na última fala do filme: “e tudo foi feito em nome da democracia”.
*Jornalista, poeta e escritor
Pelo menos onze pessoas estão desaparecidas depois que um deslizamento de terra atingiu quatro casas em Angra dos Reis (RJ) na madrugada deste sábado (2). Os imóveis ficam na Rua Francisco Cesário Alvim, no bairro Monsuaba. As informações são da Defesa Civil.
Pelo menos prefeitos de três capitais se desligaram dos cargos até o momento. Este sábado (2) é o prazo imposto pela Justiça Eleitoral como limite para a disputa das eleições de 2022. Esses prefeitos estão aptos a concorrer ao governo estadual em outubro. São eles Alexandre Kalil (MG), Gean Loureiro (SC) e Marquinhos Trad
Por Marcelo Tognozzi *
Meu amigo Marcos Oliveira, diretor-presidente de três emissoras de rádio no Sertão, em Serra Talhada, Afogados da Ingazeira e Betânia, ingressou no PP para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Na vida pública, Marquinhos, como é mais conhecido, já presidiu a Asserpe, Associação das Emissoras de Rádio e TV de Pernambuco, foi secretário em Serra Talhada na gestão de Luciano Duque e, ultimamente, atuava como assessor
Não foi a ação repressiva do Governo que levou o narcotráfico a dar uma trégua no cenário de guerra em Ipojuca. Foram os próprios traficantes, ligados ao PCC, Primeiro Comando da Capital, que deram ordem e "autorizaram" o comércio a reabrir. Tudo porque o Governo agiu muito mal, a polícia foi incapaz de vencer essa batalha, que desmoralizou o Governo, conforme a própria ordem do PCC para liberar o comércio.
Dois dias após renunciar ao cargo de prefeita de Caruaru, a presidente estadual do PSDB, Raquel Lyra, vai promover um evento, neste sábado, 2, a partir das às 10h, na casa de show Arena Caruaru, chamado de “Caruaru de coração” para oficializar sua pré-candidatura ao Governo do Estado e agradecer ao povo caruaruense pela confiança durante os seis anos que ficou à frente da gestão. A ocasião vai contar com aliados como a deputada estadual Priscila
A ex-prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, pré-candidata ao Governo do Estado, renunciou, mas antes de abandonar a Prefeitura, cometeu uma tremenda injustiça com um dos símbolos da música nordestina, aplaudido no Brasil inteiro, pelo seu talento e, sobretudo, por deixar três cidades famosas em suas canções: Jorge de Altinho, autor de Petrolina-Juazeiro e Capital do forró, esta em homenagem a própria Caruaru.
O coveiro do PSDB
Sem o melhor dos debates – Ninguém lamentou a desistência do ex-juiz Sérgio Moro da disputa ao Palácio do Planalto nem muito menos sua troca partidária, do Podemos para o União Brasil. O que muita gente lamentou é que a jogada de toalha eliminou a possibilidade de um cara a cara entre ele e Lula nos debates na televisão ao longo da campanha. Sem dúvida, era o que o Brasil merecia: o confronto do ex-presidiário com o seu algoz longe dos tribunais superiores, no ringue da arena política.
Sem interlocução – O ex-presidente Lula jantou, há cerca de um mês, em São Paulo, com um pequeno grupo de empresários e executivos. O encontro aconteceu na mansão de José Seripieri Junior, fundador da Qualicorp. Na conversa, os empresários fizeram críticas a interlocutores do PT que têm falado em nome de Lula sobre assuntos da área econômica. Entre eles, os ex-ministros Guido Mantega e Aloizio Mercadante. Os empresários defenderam que Lula precisa escalar novos nomes para atuarem como seus interlocutores econômicos perante o empresariado e o mercado como um todo.
Após o candidato a deputado federal Guilherme Coelho confirmar a sua permanência no PSDB para a disputa eleitoral deste ano, com dobradinha ao lado de Lucinha Mota, um racha foi instalado no grupo Coelho em Petrolina. As informações são do blog do Edenevaldo Alves.
O pré-candidato a deputado estadual pelo União Brasil Raffiê Dellon, não perdeu tempo e largou na frente já montando uma extensa agenda para o pré-candidato ao Governo do Estado do seu partido e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, na Capital do Agreste.