O tombo dos distintos
Por Marcelo Tognozzi *
Esta campanha eleitoral está mostrando que os políticos fabricados, aqueles sem passado, dificilmente terão futuro. Sergio Moro, ganhou notoriedade com a Lava Jato e sonhou ser presidente da República sem nunca ter ganho um voto sequer. Moro é um homem que não gosta de políticos, os despreza.
Teve a cara de pau de ligar para seu padrinho, o senador Álvaro Dias (Podemos), com uma proposta indecorosa: Dias abriria mão da reeleição quase certa e apoiaria Moro para o Senado. A velha raposa ficou com a certeza de que o fracasso subiu à cabeça do ex-juiz. Em novembro, o distinto entrou no Podemos pela porta da frente e, 4 meses depois, deixou o partido pela porta dos fundos.
Numa época em que não havia pandemia nem guerra na Europa, o Brasil viveu em uma turbulência chamada governo Dilma Rousseff, a “presidenta” que detestava os políticos e nunca ganhara uma eleição. Foi eleita a bordo da vaidade e do prestígio do ex-presidente Lula. Dilma soltou a rédea da inflação, que bateu 11,7%, e quando deixou o governo 12 milhões de brasileiros não tinham emprego.
Certa vez, durante uma reunião na Faria Lima em 2014, me perguntaram como eu definiria Dilma. Respondi que ela era igual ao ex-presidente João Figueiredo. Detestava os políticos e a política, tinha um viés autoritário tamanho, que, pela sua lógica, se havia um líder do governo na Câmara ou no Senado este líder devia vassalagem a ela. O raciocínio era mais ou menos assim: se ele é líder do governo e eu sou a presidenta, então quem manda nele sou eu. Em 2018, a distinta perdeu a eleição para o Senado em Minas e amargou um 4º lugar.
Sergio Moro destilou raciocínio semelhante quando naquela sua aventura no Ministério da Justiça decidiu peitar o Congresso imaginando obrigá-lo a aprovar seu pacote da segurança pública. A excelência delirou. Agiu ignorando o básico: nenhum deputado ou senador senta naquelas cadeiras sem a legitimidade do voto popular. No plenário, o voto de um deputado por Rondônia tem o mesmo valor do voto do deputado por São Paulo. Tudo igual.
Como Dilma, ele nunca entendeu que política se faz conversando, negociando e engolindo sapos. Moro não engole sapo e, como naquele samba de Billy Blanco, “não carrega embrulho, não fala com pobre”. Junto com sua candidatura, que nunca passou de um sonho de verão (afinal ela acabou no outono), Moro leva embora consigo a empáfia de quem se achava crocodilo, mas no fundo nunca passou de lagartixa.
João Doria também não carrega embrulho nem fala com pobre, porém deu mais sorte que Moro e Dilma. Eleito prefeito debaixo da asa do então governador Geraldo Alckmin, acabou largando o mandato no meio. Ganhou o governo de São Paulo e, junto, a fama de traíra por ter abandonado o padrinho que disputava a presidência. Em política, até traição precisa ser combinada. Certa vez, o deputado Wigberto Tartuce, o Vigão, não hesitou quando o líder Paulo Maluf veio cobrar seu apoio numa votação importante: “Paulo eu te amo, mas vou dar uma traidinha e já volto”.
Doria foi contaminado pelo próprio veneno. Perdeu a credibilidade, acabou mais desvalorizado que peso argentino. Conseguiu fabricar uma vacina contra a covid-19 em tempo recorde, mas não logrou transformar esta proeza em votos. Se tivesse descoberto a cura do câncer ou da aids daria no mesmo. Venceu as prévias do PSDB derrotando Eduardo Leite, mas daquela vitória não emergiu um estadista, um pacificador. Doria se transformou no coveiro de um partido que governou o Brasil 2 vezes e estabilizou a economia com o Plano Real. Com ele, o PSDB perdeu a majestade.
Doria agora é um passivo difícil de digerir. Deu uma de Salomé e quase entregou numa bandeja a cabeça do vice Rodrigo Garcia para os adversários. Blefou que ficaria no governo e desistiria de ser presidente. Garcia, que precisa da cadeira e da caneta para decolar, endoidou. No fim era só uma birra e Doria seguiu seu destino. Será triturado pelas urnas se chegar inteiro até outubro.
Como Moro, Doria também precisa aprender com a Banca do Distinto, aquele samba imortal de Billy Blanco: “A vaidade é assim, põe o bobo no alto E retira a escada Mas fica por perto esperando sentada Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal Todo mundo é igual quando o tombo termina. Com terra por cima e na horizontal”.
* Marcelo Tognozzi - 61 anos, é jornalista e consultor independente. Fez MBA em gerenciamento de campanha políticas na Graduate School Of Political Management - The George Washington University e pós-graduação em Inteligência Econômica na Universidad de Comillas, em Madri. Escreve semanalmente para o Poder360, sempre aos sábados.
Pelo menos onze pessoas estão desaparecidas depois que um deslizamento de terra atingiu quatro casas em Angra dos Reis (RJ) na madrugada deste sábado (2). Os imóveis ficam na Rua Francisco Cesário Alvim, no bairro Monsuaba. As informações são da Defesa Civil.
Pelo menos prefeitos de três capitais se desligaram dos cargos até o momento. Este sábado (2) é o prazo imposto pela Justiça Eleitoral como limite para a disputa das eleições de 2022. Esses prefeitos estão aptos a concorrer ao governo estadual em outubro. São eles Alexandre Kalil (MG), Gean Loureiro (SC) e Marquinhos Trad
Meu amigo Marcos Oliveira, diretor-presidente de três emissoras de rádio no Sertão, em Serra Talhada, Afogados da Ingazeira e Betânia, ingressou no PP para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Na vida pública, Marquinhos, como é mais conhecido, já presidiu a Asserpe, Associação das Emissoras de Rádio e TV de Pernambuco, foi secretário em Serra Talhada na gestão de Luciano Duque e, ultimamente, atuava como assessor
Não foi a ação repressiva do Governo que levou o narcotráfico a dar uma trégua no cenário de guerra em Ipojuca. Foram os próprios traficantes, ligados ao PCC, Primeiro Comando da Capital, que deram ordem e "autorizaram" o comércio a reabrir. Tudo porque o Governo agiu muito mal, a polícia foi incapaz de vencer essa batalha, que desmoralizou o Governo, conforme a própria ordem do PCC para liberar o comércio.
Dois dias após renunciar ao cargo de prefeita de Caruaru, a presidente estadual do PSDB, Raquel Lyra, vai promover um evento, neste sábado, 2, a partir das às 10h, na casa de show Arena Caruaru, chamado de “Caruaru de coração” para oficializar sua pré-candidatura ao Governo do Estado e agradecer ao povo caruaruense pela confiança durante os seis anos que ficou à frente da gestão. A ocasião vai contar com aliados como a deputada estadual Priscila
A ex-prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, pré-candidata ao Governo do Estado, renunciou, mas antes de abandonar a Prefeitura, cometeu uma tremenda injustiça com um dos símbolos da música nordestina, aplaudido no Brasil inteiro, pelo seu talento e, sobretudo, por deixar três cidades famosas em suas canções: Jorge de Altinho, autor de Petrolina-Juazeiro e Capital do forró, esta em homenagem a própria Caruaru.
O coveiro do PSDB
Sem o melhor dos debates – Ninguém lamentou a desistência do ex-juiz Sérgio Moro da disputa ao Palácio do Planalto nem muito menos sua troca partidária, do Podemos para o União Brasil. O que muita gente lamentou é que a jogada de toalha eliminou a possibilidade de um cara a cara entre ele e Lula nos debates na televisão ao longo da campanha. Sem dúvida, era o que o Brasil merecia: o confronto do ex-presidiário com o seu algoz longe dos tribunais superiores, no ringue da arena política.
Sem interlocução – O ex-presidente Lula jantou, há cerca de um mês, em São Paulo, com um pequeno grupo de empresários e executivos. O encontro aconteceu na mansão de José Seripieri Junior, fundador da Qualicorp. Na conversa, os empresários fizeram críticas a interlocutores do PT que têm falado em nome de Lula sobre assuntos da área econômica. Entre eles, os ex-ministros Guido Mantega e Aloizio Mercadante. Os empresários defenderam que Lula precisa escalar novos nomes para atuarem como seus interlocutores econômicos perante o empresariado e o mercado como um todo.
Após o candidato a deputado federal Guilherme Coelho confirmar a sua permanência no PSDB para a disputa eleitoral deste ano, com dobradinha ao lado de Lucinha Mota, um racha foi instalado no grupo Coelho em Petrolina. As informações são do blog do Edenevaldo Alves.
O pré-candidato a deputado estadual pelo União Brasil Raffiê Dellon, não perdeu tempo e largou na frente já montando uma extensa agenda para o pré-candidato ao Governo do Estado do seu partido e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, na Capital do Agreste.
Aliados do pré-candidato Ciro Gomes, do PDT, enxergam uma janela de oportunidade na desistência do ex-ministro Sergio Moro da corrida presidencial e do momento de indefinição da terceira via. Eles entendem que é o momento de Ciro se fortalecer como alternativa ao movimento de polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o presidente Jair Bolsonaro, do PL.